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Aprendendo a dirigir no Japão

09/10/2026 7 min de leitura

Fachada e placa da entrada do centro de exames de habilitação de Fuchu.

Foto: Douglas Paul Perkins, CC BY 3.0. Recortada e comprimida.

Nunca tive carteira de motorista. Entre os 20 e os 30 anos, passei a maior parte do tempo no Japão, onde não precisava muito de uma para me locomover.

Casei recentemente, e eu e minha parceira começamos a pensar em fazer umas viagens para fora da cidade. Poder alugar um carro nos daria mais liberdade, e saber dirigir pode ser útil se nossa família crescer. Então decidimos tirar a carteira juntos. Pelo menos podemos reclamar juntos dos absurdos desse processo todo.

Até agora, tive que lidar com procedimentos confusos, usar software de merda e tirar folga do trabalho repetidas vezes. Estou chegando a ¥300 mil só em taxas — cerca de US$1.900 — sem contar transporte ou perda de renda. Meus dias de folga remunerada acabaram, e agora estou pedindo folgas sem remuneração.

Me inscrevi no fim de fevereiro. Mais de sete meses depois, ainda não tenho a carteira.

Este post tem um pouco de desabafo, mas quero contar minha experiência para quem está pensando em tirar a carteira no Japão. Falo um pouco de japonês e consegui me virar. Se você começar sem saber nada de japonês, vai ser, no mínimo, uma experiência e tanto.

Escolhendo o caminho

Para começar do zero no Japão, existem dois caminhos principais. Numa autoescola designada, você faz aulas e passa por avaliações práticas, incluindo uma prova de conclusão. Quem se forma fica dispensado da prova prática no centro de exames, mas ainda precisa fazer a prova teórica e os testes de aptidão lá. O outro caminho é fazer tanto a prova teórica quanto a prática no centro de exames. Você ainda pode usar uma escola para as aulas e o suporte.

Escolhemos o segundo caminho e fazemos as provas em Fuchu. Acho que minha esposa procurou escolas por perto e encontrou uma. Fiquei com a que ela escolheu.

A escola cuida da orientação inicial, dos livros de teoria, dos agendamentos, do carro, dos instrutores e dos locais de prática, incluindo sessões no próprio circuito fechado de provas de Fuchu. A gente decide como estudar para as provas teóricas; a escola organiza a parte prática.

Paguei cerca de ¥250 mil logo de início pela minha parte — aproximadamente US$1.600.

Onde acontece a prova prática

Autoescola designada

  1. 1. Aulas e avaliações práticas na escola
  2. 2. Prova prática de conclusão na escola
  3. 3. Prova teórica e testes de aptidão no centro de exames
    Dispensa da prova prática no centro

Meu caminho: provas no centro de exames

  1. 1. Aulas e suporte organizados pela escola
  2. 2. Provas teórica e prática da habilitação provisória no centro
  3. 3. Mais prática e, depois, provas teórica e prática da habilitação definitiva no centro
Um resumo dos dois caminhos, sem detalhar todas as etapas. Fontes: Polícia Metropolitana de Tóquio e Associação de Autoescolas Designadas de Tóquio.

A primeira prova teórica

Para me preparar para a teórica da provisória, usei o Manten-sama, um site de estudos com repetição espaçada fornecido pela escola. O software em si não era lá essas coisas, mas ajudou na preparação.

Estudar para essa prova foi rápido e tranquilo em comparação com a preparação para a teórica da definitiva, que veio depois. Passei na teórica da provisória de primeira.

Achei que a prova da definitiva seria mais do mesmo, só com mais questões. Essa suposição saiu cara.

Dirigindo de verdade

Nos dias de aula prática, eu normalmente ia primeiro à escola em Ogikubo. De lá, um instrutor levava todo mundo de carro — eu, outros alunos e outros instrutores — até o circuito de prática em Saitama, a cerca de uma hora de distância. Entre o deslocamento e a aula, isso geralmente tomava o dia inteiro. Uma vez, tive aula no fim do dia e não precisei sair de manhã. Naquele dia, fui de trem até a estação mais próxima, onde um instrutor me buscou.

Também fiz treinos de duas horas no circuito de provas de Fuchu, geralmente com instrutores diferentes.

Precisei de três tentativas para passar na prova prática da provisória.

Na primeira, tudo estava indo bem até a saída do crank, um trecho estreito com curvas fechadas em ângulo reto. Ao virar à esquerda na saída, meu pneu traseiro esquerdo passou por cima do meio-fio. Entrei em pânico e, na minha cabeça, já tinha desistido. Depois disso, até deixei passar uma placa de pare, e o examinador chamou minha atenção.

Na segunda, achei que estava mandando muito bem. Fiquei surpreso quando soube que tinha reprovado. O feedback foi sobre minhas checagens de segurança nos cruzamentos e a preferência. Num circuito quase vazio, eu estava contando com a visão periférica. Mas precisava mostrar com mais clareza que estava fazendo essas checagens. Também perdi pontos por uma questão de preferência, embora não me lembre exatamente da situação.

Passei na terceira tentativa.

Agendar as provas também aumentava a frustração. As teóricas geralmente eram fáceis de marcar; às vezes eu conseguia uma vaga já para o dia seguinte. As práticas eram diferentes. Tanto para a provisória quanto para a definitiva, geralmente precisei marcar com cerca de um mês de antecedência. Reprovar significava esperar mais algumas semanas.

Mais questões, mais tentativas

Para a prova teórica da definitiva, usei o Gokaku, um app gratuito feito por um desenvolvedor independente. Algumas questões estavam incorretas, mas, no geral, ele foi muito útil. Também reportei um bug, e o desenvolvedor corrigiu.

A prova vale 100 pontos, e são necessários 90 para passar. Precisei de quatro tentativas:

TentativaProgresso no appNotaResultado
1Cerca de 33%82Reprovado
2Cerca de 66%89Reprovado
3100%89Reprovado
4—Não divulgadaAprovado

O progresso no app não significava que eu tinha entendido tudo. Mas mostrava por quais questões eu já tinha passado. Quando fui fazer a terceira prova, eu já tinha passado por todas as questões e estava fazendo simulados. Estudei e pratiquei mais, mas voltei com 89 de novo.

Decorar todas essas questões me tornou um motorista melhor no Japão? Acho que não. Boa parte da preparação parecia ser aprender a identificar pegadinhas, decifrar frases ambíguas e lidar com um inglês mal escrito.

Uma questão que lembro de ter errado era sobre usar o cinto de segurança ao redor da cintura. Marquei como verdadeira. O detalhe era a diferença entre cintura e pelve. Eu entendia como usar um cinto, mas não tinha percebido qual detalhe da frase estava sendo cobrado. Errar aquela questão não pareceu me ensinar nada sobre dirigir com segurança.

Tirar 89 significa voltar por causa de um único ponto. Mais uma folga em dia útil, mais uma ida ao centro de exames, mais um dia inteiro em função de uma prova de 50 minutos. Aí você torce para não interpretar outra frase errado ou apertar sem querer o botão que avança uma página inteira de dez questões, quando só queria passar para a próxima questão. Ter que usar software de merda, além de todo o resto, não ajudou.

Entre a terceira e a quarta tentativa, foquei só em simulados e em revisar o que precisava, incluindo todas as placas e as questões com números específicos. Finalmente passei.

Dediquei mais tempo e energia à preparação para a prova. Só queria ter sentido que uma parte maior desse esforço estava me ajudando a dirigir de verdade.

O tempo também entra na conta

As taxas são só uma parte do que isso me custou. Ainda não somei os gastos com transporte nem tenho valores confirmados de descontos no salário pelas folgas sem remuneração.

As aulas geralmente ocupavam um dia inteiro do fim de semana. Para fazer as provas, eu precisava tirar folga durante a semana. Usei meus dias de folga remunerada até acabarem, e agora estou pedindo folgas sem remuneração. Ainda haverá mais provas e mais dias fora do trabalho até eu terminar.

Empregadores também podem optar por oferecer licenças especiais para cuidar de assuntos pessoais, como procedimentos que só podem ser feitos em horário comercial durante a semana. A empresa decide se essas licenças cobrem provas de habilitação e se são remuneradas. Teria me ajudado.

Ainda falta uma etapa

Já concluí três etapas: a teórica da provisória, a prática da provisória e a teórica da definitiva. Vou fazer a quarta, a prova prática final, em novembro. Essa pode ser uma história para outro post.

Tem muita coisa de que mal falei: chegar ao centro de exames pela primeira vez, descobrir em qual fila entrar e usar o ChatGPT para entender formulários inteiramente em japonês. Eu podia escolher inglês na prova teórica, mas fiz as provas práticas em japonês. Entender “Vire à esquerda no número seis” também entra na preparação. Fora o software do tablet, os instrutores e as horas de espera. Um buraco negro burocrático que suga tempo, com várias histórias para depois.

Se quiser saber mais sobre alguma parte disso, me mande uma mensagem.

Referências